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| Foto reprodução: G1 |
A posse de Donald Trump no início deste ano intensificou de forma significativa as tensões militares e diplomáticas entre os Estados Unidos e a Venezuela, inaugurando uma sequência de medidas de pressão que combinaram sanções, operações de segurança e ameaças diretas ao governo de Nicolás Maduro.
Em fevereiro, Trump deu o primeiro passo ao classificar organizações criminosas venezuelanas como grupos terroristas, o que abriu caminho para deportações em massa de venezuelanos acusados de integrar essas facções posteriormente suspensas por decisão da Suprema Corte dos EUA. Nos meses seguintes, Washington elevou o tom: aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro, acusando-o de envolvimento com o narcotráfico, e passou a reforçar sua presença militar no Caribe com navios de guerra, aeronaves e até um submarino nuclear.
A partir de setembro, as tensões entraram em um novo patamar com ataques diretos a embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. Segundo o governo americano, as ações tinham como alvo redes de “narcoterrorismo” ligadas a grupos venezuelanos, como o Tren de Aragua. Ao longo de pouco mais de dois meses, foram registrados mais de 20 ataques desse tipo, com dezenas de mortes, sem baixas entre militares dos EUA. Em resposta, Maduro mobilizou a Milícia Bolivariana e denunciou uma escalada militar injustificada.
Paralelamente, o governo Trump autorizou operações secretas da CIA dentro do território venezuelano e passou a falar abertamente na possibilidade de uma ação terrestre. Um memorando vazado ao Congresso revelou que a Casa Branca considera estar em um “conflito armado não internacional” com cartéis de drogas, tratados como grupos armados não estatais.
No fim de novembro, surgiram relatos de uma conversa telefônica entre Trump e Maduro, na qual teria sido discutida até a possibilidade de uma reunião, embora sob um cenário de ultimatos e ameaças. Pouco depois, os EUA anunciaram o fechamento total do espaço aéreo venezuelano e recomendaram que cidadãos americanos deixassem o país ou evitassem viajar para lá.
Em dezembro, a pressão aumentou ainda mais. Washington apreendeu um petroleiro acusado de transportar petróleo venezuelano em operações sancionadas envolvendo o Irã, impôs novas sanções a familiares de Maduro e empresas ligadas ao setor petrolífero e, por fim, Trump anunciou um bloqueio “total e completo” de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. Na mesma declaração, o presidente americano afirmou que o governo venezuelano foi classificado como uma organização terrorista estrangeira.
Caracas reagiu duramente às medidas, acusando os Estados Unidos de agressão, pirataria internacional e postura “colonialista”. Analistas veem a sequência de ações como a maior escalada militar dos EUA na América Latina em anos, elevando o risco de um confronto direto entre os dois países.
Fonte: G1

