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| Foto reprodução: G1 |
O Ministério da Saúde da Índia afirmou, na noite desta terça-feira (27), que o risco de disseminação do vírus Nipah considerado altamente letal para humanos foi “controlado em tempo oportuno”, após a confirmação de dois casos da doença no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país. Apesar disso, nações vizinhas decidiram reforçar medidas preventivas, especialmente em aeroportos e fronteiras.
Ainda não existe vacina ou tratamento específico contra o vírus Nipah. A infecção ocorre, em geral, por meio do contato com animais contaminados, como morcegos e porcos, ou pela ingestão de alimentos infectados. O manejo clínico atual se limita ao tratamento dos sintomas e à prevenção de complicações.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade do vírus varia entre 40% e 75%, índice superior ao observado na Covid-19. Por esse motivo, cada surto é submetido a vigilância rigorosa pelas autoridades sanitárias.
Os sintomas iniciais podem se confundir com os de uma gripe comum, incluindo febre, dores no corpo e de cabeça, dor de garganta e vômitos. Em alguns casos, surgem também tontura, sonolência, dificuldades respiratórias e alterações neurológicas. Nos quadros mais graves, o vírus pode provocar convulsões, encefalite e até coma. O período de incubação costuma variar de quatro a 14 dias, podendo se estender por até 45 dias.
Segundo o governo indiano, ações como ampliação da vigilância, testes laboratoriais e investigações de campo permitiram conter rapidamente os casos. Ao todo, 196 pessoas que tiveram contato com os infectados foram monitoradas e colocadas em quarentena; todas testaram negativo. O estado de saúde dos dois pacientes não foi divulgado.
Países reforçam prevenção
Até o momento, não há registros de casos fora da Índia. Ainda assim, países asiáticos passaram a adotar medidas preventivas após notícias preliminares indicarem possível aumento de infecções informações que autoridades indianas classificaram como “especulativas e imprecisas”.
Indonésia e Tailândia intensificaram a triagem em aeroportos, exigindo declarações de saúde, medição de temperatura e observação clínica de passageiros vindos da Índia. Em Bangcoc, scanners térmicos foram instalados no aeroporto internacional de Suvarnabhumi para voos procedentes de Bengala Ocidental.
Myanmar recomendou evitar viagens não essenciais à região afetada e orientou viajantes a buscar atendimento médico caso apresentem sintomas até 14 dias após o retorno. O país também reforçou a vigilância de febre nos aeroportos, ampliando a capacidade de testagem e o estoque de insumos médicos.
No Vietnã, o Ministério da Saúde solicitou o fortalecimento das práticas de segurança alimentar e maior vigilância em fronteiras, unidades de saúde e comunidades. A China informou que está intensificando avaliações de risco, treinando profissionais de saúde e ampliando a vigilância epidemiológica nas áreas fronteiriças.
Histórico do vírus
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e recebeu o nome do vilarejo onde surgiu. Na Índia, os primeiros registros ocorreram em 2001, em Bengala Ocidental. Em 2018, um surto no estado de Kerala deixou 17 mortos.
Especialistas consideram improvável que o vírus evolua para uma pandemia, já que a transmissão entre humanos é limitada e exige contato próximo e prolongado. Além disso, não há registros de casos assintomáticos, o que facilita a identificação dos infectados. Mesmo assim, a OMS ressalta a necessidade de ampliar a conscientização sobre os fatores de risco, diante da ausência de vacina ou medicamento específico.
Apesar de raro, o vírus Nipah integra a lista da OMS de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de Ebola, Zika e Covid-19, devido ao seu potencial de causar epidemias globais.
Fonte: G1

