Foto reprodução: G1
Interlocutores do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) esperavam que o governo dos Estados Unidos pudesse adiar a aplicação das novas tarifas sobre produtos brasileiros. No entanto, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) confirmou a cobrança adicional de 25% sobre parte das exportações do Brasil, mantendo uma lista de produtos isentos. A medida passa a valer em 22 de julho.
A tarifa foi definida após uma investigação comercial conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.
Nos bastidores, aliados de Flávio acreditavam que, caso houvesse um adiamento da medida, o senador poderia atribuir o resultado às conversas que manteve com integrantes da equipe do presidente Donald Trump e com o próprio líder norte-americano. A estratégia, porém, não se concretizou.
Diante da confirmação do tarifaço, Flávio Bolsonaro passou a responsabilizar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão. Em publicações nas redes sociais, o senador afirma que a medida seria consequência da condução da política externa brasileira e da falta de diálogo com os Estados Unidos.
O parlamentar também reforçou esse posicionamento ao responder uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que criticou políticas adotadas pelo governo brasileiro e acusou Lula de não negociar de forma adequada com Washington.
Apesar desse discurso, pesquisa divulgada pelo instituto Quaest aponta que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pelo tarifaço à versão defendida pelo presidente Lula. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados concordam que a iniciativa foi motivada pela atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo norte-americano, enquanto 30% concordam com a versão apresentada pelo senador.
A pesquisa também mostra que 49% dos entrevistados acreditam que as tarifas representam uma retaliação relacionada ao Pix, tese defendida por Lula, enquanto 33% consideram que a medida foi uma resposta às declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos, como sustenta Flávio Bolsonaro.
Reservadamente, aliados do senador reconhecem que o tema tem provocado desgaste político e avaliam que o ideal seria que o assunto deixasse de dominar o debate público. Ainda assim, a expectativa é de que o episódio seja explorado durante a campanha eleitoral pela equipe do presidente Lula.
Fonte: G1
Aliados de Flávio Bolsonaro admitem prejuízo com tarifaço dos EUA
julho 17, 2026
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