Doença rara provoca lesão medular e deixa médico paraplégico

Junior Santos
0


Doença rara provoca lesão medular e deixa médico paraplégico
Foto reprodução: G1

Doença rara provoca lesão medular e transforma a vida de médico, que agora luta para voltar a andar

O médico Lucas Hoffmann viu sua vida mudar drasticamente em poucas horas. Após encerrar um plantão e deixar o hospital caminhando normalmente, ele começou a sentir fortes dores na região cervical e, pouco tempo depois, perdeu os movimentos das pernas. O diagnóstico revelou uma condição extremamente rara: um cavernoma na medula espinhal, uma malformação vascular que provocou um sangramento e resultou em uma grave lesão medular.

O cavernoma é uma alteração nos vasos sanguíneos que forma um emaranhado de pequenos vasos com maior risco de hemorragias. Embora a condição já seja considerada rara, a ocorrência na medula espinhal é ainda mais incomum, representando cerca de 2% dos casos.

Lucas descobriu a doença no fim de 2025, quando atendia pacientes e percebeu os primeiros sintomas. Uma enfermeira notou que ele estava arrastando uma das pernas ao caminhar, e exames realizados em seguida identificaram o sangramento na medula. A lesão interrompeu a comunicação entre o cérebro e os membros inferiores, deixando o médico paraplégico.

“Mesmo sendo médico, eu nunca tinha ouvido falar dessa doença. A primeira vez que ouvi sobre ela foi ao receber meu próprio diagnóstico”, relatou.

Após a primeira cirurgia e meses de intensa fisioterapia, Lucas apresentou sinais de recuperação, recuperando parte da sensibilidade. No entanto, em abril deste ano, sofreu um novo sangramento, ainda mais grave, que atingiu uma região superior da medula e comprometeu também os movimentos dos braços.

Diante da gravidade do quadro, ele foi transferido para São Paulo, onde passou por uma cirurgia de alta complexidade para retirada completa do cavernoma. O procedimento durou oito horas e contou com uma tecnologia avançada de monitoramento neurológico intraoperatório, que permitiu aos médicos acompanhar em tempo real a atividade neurológica durante a operação.

A cirurgia foi considerada um sucesso, e Lucas conseguiu preservar os movimentos dos braços. Apesar disso, a recuperação dos movimentos das pernas continua sendo uma incógnita para a medicina.

Especialistas explicam que não existe, atualmente, nenhum tratamento capaz de restaurar completamente uma lesão medular. A evolução depende de diversos fatores, incluindo a extensão da lesão e a capacidade de regeneração do organismo, que varia de paciente para paciente.

Enquanto segue em processo de reabilitação, Lucas passou a compartilhar sua rotina nas redes sociais, onde fala sobre acessibilidade, desafios enfrentados por pessoas cadeirantes e a realidade da recuperação após uma lesão medular. Hoje, milhares de pessoas acompanham sua trajetória.

“Tenho esperança de voltar a andar e recuperar a vida que tinha antes. Mas, enquanto isso não acontece, quero continuar ajudando outras pessoas e exercer a medicina da forma que for possível”, afirma.

Entre as pesquisas que despertam expectativa está a polilaminina, uma substância experimental que vem sendo estudada para auxiliar na regeneração da medula espinhal. No entanto, os testes clínicos em humanos ainda não começaram, e não há comprovação científica de sua eficácia ou segurança. Apesar disso, alguns pacientes já receberam a substância por meio do chamado uso compassivo, autorizado pela Anvisa em casos específicos.

Para Lucas, a esperança permanece viva. Entre sessões de reabilitação e a missão de conscientizar a população sobre a doença rara que mudou sua vida, ele segue determinado a transformar sua própria experiência em apoio para outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes.

Fonte: G1
Tags

Postar um comentário

0 Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Ok, Go it!) #days=(20)

Our website uses cookies to enhance your experience. Check Now
Ok, Go it!