Rússia caminha para rede de internet independente

Junior Santos
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Serviços amplamente utilizados, como WhatsApp, Instagram e Facebook, já enfrentam interrupções ou foram bloqueados
Foto reprodução: G1

O avanço das restrições digitais na Rússia está provocando uma mudança incomum no comportamento da população: diante de apagões frequentes na internet e do bloqueio de plataformas, muitos russos voltam a recorrer a tecnologias consideradas ultrapassadas, como telefones fixos, pagers e até mapas de papel.

Serviços amplamente utilizados, como WhatsApp, Instagram e Facebook, já enfrentam interrupções ou foram bloqueados. O Telegram principal canal de comunicação no país, com cerca de 100 milhões de usuários também vem sofrendo limitações e pode ser suspenso totalmente, o que tem gerado críticas até entre aliados do presidente Vladimir Putin.

Desde a invasão da Ucrânia, o governo russo intensificou o controle sobre o ambiente digital. Cidades como Moscou e São Petersburgo têm registrado falhas constantes de conexão, afetando atividades básicas como transporte por aplicativo, pagamentos e comunicações.

Mais recentemente, o foco das autoridades passou a ser o uso de VPNs ferramentas que permitem driblar a censura. Segundo o ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, o objetivo é reduzir o acesso a plataformas estrangeiras sob a justificativa de segurança nacional. Até janeiro, mais de 400 serviços desse tipo já haviam sido bloqueados.

O endurecimento também impacta empresas internacionais. A Apple, por exemplo, retirou da App Store aplicativos de VPN que permitiam acessar conteúdos proibidos no país.

Enquanto isso, cresce a preocupação com a possibilidade de apagões digitais em larga escala. Especialistas apontam que a Rússia possui capacidade técnica para implementar bloqueios simultâneos em todo o território, cenário já observado em países como o Irã.

O possível bloqueio do Telegram é visto como um divisor de águas. Criado por Pavel Durov, o aplicativo é amplamente utilizado tanto por civis quanto por militares russos, inclusive na comunicação durante o conflito.

A justificativa do Kremlin para as restrições inclui a tentativa de conter ataques com drones ucranianos. Ainda assim, o descontentamento cresce dentro e fora do governo. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ironizou a situação, comparando o cenário a um retrocesso tecnológico de um século.

Mesmo com repressão a protestos e tentativas de conter manifestações, críticas começam a surgir até em setores tradicionalmente alinhados ao governo russo, indicando um raro desgaste interno diante do aumento do isolamento digital do país.

Fonte: G1

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