
Foto reprodução: G1
O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem se tornado cada vez mais comum no Brasil e, junto com a perda rápida de peso, médicos têm observado um efeito pouco debatido fora dos consultórios: alterações na região íntima feminina.
Uma das queixas que vêm ganhando espaço é a flacidez da vulva em mulheres que emagrecem de forma acelerada. Especialistas esclarecem que essa mudança não é causada diretamente pelos medicamentos, mas sim pela rapidez com que o corpo elimina gordura.
Segundo ginecologistas, a região vulvar possui tecido adiposo responsável por manter o volume e a sustentação. Quando há emagrecimento rápido, a pele nem sempre consegue acompanhar essa redução, o que pode resultar em aspecto mais flácido. Isso acontece porque, além da gordura, a área depende de colágeno e elastina proteínas que garantem firmeza e elasticidade.
O que muda no corpo com o emagrecimento rápido
A perda de gordura ocorre de maneira generalizada e atinge diversas partes do corpo, inclusive a região genital externa. No caso da vulva, a diminuição do volume pode afetar estruturas de sustentação, deixando a área com aparência menos preenchida.
Essa adaptação varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como idade, genética e qualidade da pele. Em mulheres com menor produção de colágeno, por exemplo, a retração tende a ser menos eficiente, favorecendo a flacidez. As regiões mais afetadas costumam ser os lábios maiores e o monte pubiano, por concentrarem mais gordura.
Apesar de ainda haver poucos estudos específicos, profissionais relatam que esse fenômeno já é observado tanto em consultórios ginecológicos quanto na cirurgia plástica.
Vai além da estética
Embora muitas mulheres procurem ajuda por questões visuais, as mudanças podem ir além da aparência. A perda de sustentação pode aumentar a sensibilidade da região e causar desconforto no dia a dia, especialmente ao usar roupas apertadas ou durante atividades físicas.
Também pode haver impacto na autoestima e na vida sexual. Em alguns casos, o emagrecimento rápido interfere na musculatura do assoalho pélvico, responsável pela sustentação dos órgãos da pelve e por funções urinárias e sexuais.
Sem acompanhamento adequado, a perda de peso pode levar à redução de massa muscular, o que pode resultar em desconforto nas relações, diminuição da lubrificação e até escapes urinários.
Quem está mais vulnerável
Os efeitos não são iguais para todas. Alguns fatores aumentam o risco de flacidez na região íntima:
perda de peso significativa em pouco tempo
maior acúmulo de gordura na região pubiana antes do emagrecimento
idade mais avançada
menor elasticidade da pele
Mulheres na pós-menopausa, por exemplo, tendem a apresentar maior flacidez devido à queda natural de colágeno e alterações hormonais.
Quando procurar ajuda médica
Na maioria dos casos, a flacidez vulvar não representa um problema de saúde. Ainda assim,
é importante buscar avaliação ginecológica se houver:dor ou irritação frequente
desconforto persistente
impacto na vida sexual
ressecamento vaginal
alterações urinárias
A consulta é essencial para diferenciar mudanças naturais do emagrecimento de condições que precisam de tratamento.
O que pode ajudar
Existem hoje diferentes abordagens para lidar com essas alterações, sempre indicadas de forma individualizada:fisioterapia pélvica e exercícios de fortalecimento
procedimentos que estimulam colágeno, como radiofrequência e laser íntimo
preenchimento dos grandes lábios para reposição de volume
cirurgia plástica íntima, quando há interesse
Especialistas reforçam que o processo de emagrecimento deve ser acompanhado por cuidados que preservem a massa muscular e a qualidade da pele, como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.
Fonte: G1

