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As apurações da Polícia Civil sobre a rede de abuso sexual infantil desarticulada nesta segunda-feira (9), no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, revelaram um esquema criminoso estruturado baseado na “compra” de imagens de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com os investigadores, o principal suspeito, Sérgio Antônio Lopes, piloto de 60 anos, realizava pagamentos por meio de transferências via Pix, com valores que variavam entre R$ 30, R$ 50 e R$ 100 por cada imagem enviada. As transações eram feitas diretamente a responsáveis legais pelas vítimas, o que, segundo a polícia, facilitava a continuidade do crime.
As investigações apontam que o esquema funcionava há pelo menos oito anos e não se limitava a pagamentos em dinheiro. Conforme a Polícia Civil, o suspeito também custeava despesas básicas e bens materiais das famílias como forma de obter acesso às vítimas. Entre os itens financiados estariam medicamentos, televisores e até aluguéis de imóveis, criando uma relação de dependência econômica.
Em entrevista coletiva, a delegada Ivalda Aleixo destacou que esse tipo de ajuda financeira contribuía para a conivência de familiares com a exploração sexual. “Em alguns casos, ele comprava medicamentos, pagava aluguel e houve até a aquisição de uma televisão”, afirmou. Até o momento, dez vítimas já foram identificadas no estado de São Paulo, mas a polícia não descarta a possibilidade de um número maior de crianças e adolescentes envolvidos.
Estratégia de aliciamento
Segundo a investigação, o piloto utilizava uma abordagem gradual para aliciar as famílias. Inicialmente, simulava interesse afetivo por mulheres próximas às vítimas e, com o tempo, passava a propor a produção e o envio de material ilegal. Essa dinâmica criava vínculos emocionais e financeiros, facilitando a aceitação do esquema criminoso.
Entre os casos identificados estão o de três irmãs, com idades de 10, 12 e 18 anos, que, conforme a apuração policial, eram exploradas há anos com a anuência da avó. A mulher foi presa durante a Operação “Apertem os Cintos”, que resultou na desarticulação da rede.
Prisão e desdobramentos
Sérgio Antônio Lopes foi preso enquanto já estava dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, prestes a realizar um voo com destino ao Rio de Janeiro. A prisão ocorreu após o avanço das investigações e o cumprimento de mandados judiciais expedidos pela Justiça.
Além do consumo próprio, a Polícia Civil encontrou indícios de que o material obtido era compartilhado com terceiros, ampliando o alcance da rede de exploração sexual.
O inquérito é conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e apura crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, produção de pornografia infantojuvenil e uso de documentos falsos. Segundo a polícia, o suspeito utilizava documentos de identidade adulterados para levar as vítimas a motéis, dificultando a identificação.
Até a publicação desta matéria, a defesa dos investigados não havia sido localizada. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e eventuais novas vítimas.
Piloto preso acusado de exploração sexual pagava até R$ 100 por imagens de crianças, diz Polícia
fevereiro 10, 2026
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