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Celular importado pode ficar mais caro

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Celular importado pode ficar mais caro
Foto reprodução: G1

O governo federal anunciou, no início de fevereiro, a elevação do imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones, com o objetivo de fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência externa em setores estratégicos.

A alta pode chegar a até 7,2 pontos percentuais, impactando principalmente empresas e consumidores que recorrem ao mercado internacional. Procurados, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não detalharam qual era a alíquota anterior aplicada especificamente aos celulares.

Segundo os ministérios, a medida não atinge os smartphones produzidos no Brasil, que representam cerca de 95% dos aparelhos comercializados no país em 2025. Apenas 5% são importados, a maioria da China. Além disso, o governo manteve tarifa zero para a importação de componentes sem similar nacional, garantindo insumos à indústria instalada no país.
Quais marcas podem ser afetadas?

Empresas que já montam aparelhos no Brasil não devem sofrer impacto direto. É o caso de
:

Apple – Não

Samsung – Não

Motorola – Não

Jovi – Não

Realme – Não

Essas fabricantes realizam a montagem local, ainda que utilizem peças importadas. A Apple, por exemplo, não possui fábrica própria no país, mas opera por meio da Foxconn, no interior de São Paulo, responsável pela montagem dos iPhones vendidos no mercado brasileiro.

A Samsung também confirmou que sua nova linha Galaxy S26 será montada no Brasil. A marca Jovi (nome da Vivo Mobile no país) mantém produção na Zona Franca de Manaus por meio de parceria com empresa nacional.

Já a Xiaomi pode ser impactada, pois não realiza montagem local de seus aparelhos.

Quanto pode subir o preço?

O advogado tributarista Roberto Beninca explica que o aumento pode elevar significativamente o custo final. Em um exemplo hipotético de um celular importado avaliado em US$ 600, com câmbio de R$ 5, o valor base seria de R$ 3 mil.

Antes da mudança, considerando uma alíquota de 16%, o imposto seria de R$ 480, totalizando R$ 3.480. Com o acréscimo de 7,2 pontos percentuais, a alíquota subiria para 23,2%, gerando imposto de R$ 696 e custo inicial de R$ 3.696.

Esse valor ainda pode aumentar, pois sobre ele incidem margens do importador, custos logísticos, tributos internos e margem do varejo.

Cenário global pressiona custos

O impacto pode ser ampliado pela crise global na oferta de memória RAM, componente essencial nos smartphones. A crescente demanda por chips avançados voltados à inteligência artificial tem redirecionado investimentos para data centers, reduzindo a produção de memórias tradicionais.

Objetivo fiscal e comercial

De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida busca “reequilibrar os preços” entre produtos nacionais e estrangeiros. Dados oficiais apontam que a China concentra 46% das importações brasileiras de eletrônicos, enquanto o Vietnã responde por 7,9%.

A estimativa do governo é arrecadar cerca de R$ 14 bilhões adicionais neste ano com a elevação das tarifas. O reforço na arrecadação é parte da estratégia para cumprir a meta de superávit fiscal. Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo tem adotado medidas para ampliar receitas e ajustar as contas públicas.

Produtos afetados


Entre os mais de mil itens atingidos pela nova tributação estão:

Smartphones

Equipamentos industriais (caldeiras, reatores, turbinas, fornos)

Máquinas agrícolas e industriais

Robôs industriais

Impressoras e cartuchos de tinta

Tratores

Embarcações e plataformas de exploração

Equipamentos médicos, como aparelhos de ressonância magnética e tomografia

A medida reforça a estratégia do governo de estimular a produção nacional, ao mesmo tempo em que amplia a arrecadação federal.

Fonte: G1

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