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Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta no Inca

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Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta no Inca
Foto reprodução: G1 

O Brasil acaba de atualizar o panorama do câncer no país. A nova estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta para cerca de 781 mil novos casos por ano no triênio de 2026 a 2028, reforçando que a doença segue como um dos maiores desafios da saúde pública nacional.

Por trás desses números, especialistas começam a identificar uma tendência que, até pouco tempo, parecia distante da realidade brasileira: o crescimento de casos de câncer entre adultos mais jovens, especialmente na faixa etária de 18 a 50 anos. O fenômeno já preocupa países como Estados Unidos e diversas nações europeias e, embora ainda não apareça com a mesma intensidade nas estatísticas oficiais do Brasil, vem sendo observado na prática clínica com destaque para o câncer colorretal.

Em entrevista ao g1, o diretor-geral do Inca, Roberto de Almeida Gil, afirma que há, sim, um aumento da incidência da doença em pessoas mais jovens. Segundo ele, mesmo com limitações nos dados disponíveis baseados em estimativas e não em números absolutos, a tendência é real, ainda que não atinja a dimensão que, por vezes, aparece no debate público.

Entre os fatores que ajudam a explicar esse diagnóstico mais precoce estão a maior sobrevida de pacientes com câncer hereditário e de pessoas que tiveram câncer na infância, que hoje vivem mais, chegam à idade adulta e mantêm essas mutações ao longo do tempo. No entanto, esse não é o principal motivo. De acordo com Gil, entre 30% e 50% dos casos de câncer estão associados a fatores de risco conhecidos, e a população tem sido exposta a eles cada vez mais cedo.

O tabagismo segue como um dos principais vilões. A indústria, segundo o diretor do Inca, direciona estratégias específicas para atrair jovens, seja por meio do cigarro tradicional, seja por dispositivos como vapes e narguilés, com apelo visual e marketing sedutor. Quanto mais cedo o início do consumo, mais rapidamente se completa o processo de carcinogênese, antecipando o surgimento da doença.

A alimentação também tem papel decisivo nesse cenário. O aumento da obesidade e o consumo elevado de alimentos ultraprocessados são fatores de risco bem estabelecidos. Atualmente, mais de 60% da população brasileira está acima do peso, e crianças têm contato com esses produtos cada vez mais cedo. Essa exposição precoce contribui para o aparecimento antecipado de diversos tipos de câncer, especialmente o colorretal.

Segundo Gil, o câncer colorretal é hoje um dos principais sinais de alerta, justamente por apresentar crescimento da incidência em pessoas mais jovens, ao contrário de outros tumores que mantêm comportamento estável. Esse cenário, afirma, impõe a necessidade de repensar estratégias de rastreamento, enfrentar gargalos do Sistema Único de Saúde e transformar leis e políticas públicas em cuidado efetivo para a população.

Fonte: G1

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