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| Foto reprodução: G1 |
O governo brasileiro não pretende aderir à aliança anunciada nesta semana pelos Estados Unidos para minerais críticos e terras raras. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a iniciativa atende prioritariamente aos interesses americanos e impõe restrições à autonomia dos países participantes.
Minerais críticos e estratégicos são considerados fundamentais para a economia atual e futura, com uso em tecnologias de ponta, como chips para celulares e computadores, além de serem essenciais para a transição energética. O tema deve entrar na pauta do encontro previsto entre os presidentes Lula e Donald Trump, em março, na Casa Branca. Segundo integrantes do governo, a decisão brasileira não deve comprometer a relação diplomática entre os dois países.
Na quarta-feira (4), os Estados Unidos convocaram 54 países, além da União Europeia, para uma reunião sobre o tema. O Brasil participou enviando um diplomata de baixo escalão, lotado na embaixada em Washington gesto interpretado internamente como um sinal claro de que o país não pretende aderir ao pacto. A participação brasileira teve caráter informativo, com o objetivo de acompanhar a proposta e os posicionamentos apresentados.
Durante o encontro, os EUA anunciaram a intenção de formar um bloco comercial para controlar a produção, o refino e os preços desses minerais, com o objetivo de reduzir o domínio da China no setor. No entanto, fontes do Planalto classificam a proposta como uma “camisa de força” e destacam que ela não contempla os interesses estratégicos do Brasil.
O país possui a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras, atrás apenas da China. O governo Lula defende o domínio de todo o ciclo produtivo, incluindo o processamento, e rejeita a ideia de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima. A estratégia busca evitar a repetição de modelos anteriores, em que o Brasil exportou recursos naturais sem agregar valor.
A proposta americana também contraria a política brasileira de diversificar parcerias e tratar o tema de forma ampla. Segundo fontes do governo, o Brasil segue aberto a negociações com diferentes atores internacionais, como Estados Unidos, União Europeia, China e Índia, inicialmente por meio de acordos bilaterais.
O assunto deve ganhar destaque nas próximas viagens internacionais do presidente Lula à Índia e à Coreia do Sul, previstas para este mês.
Fonte: G1

