
Foto reprodução: Diário do Nordeste
O panorama da dengue no Ceará em 2025 revela um contraste marcante. Ao mesmo tempo em que o Estado comemora números históricos de redução de casos e mortes, autoridades de saúde mantêm atenção redobrada diante de um risco que pode se intensificar nos próximos meses: a reintrodução de um sorotipo viral que não circulava com relevância há cerca de 20 anos.
Em 2025, o Ceará registrou apenas três mortes por dengue o menor número em 18 anos e cerca de 4.742 casos confirmados, caracterizando um período de baixíssima transmissão. Os óbitos ocorreram nos municípios de Limoeiro do Norte, Aracati e Jardim, entre os meses de maio e agosto. Fortaleza, por sua vez, não registrou nenhuma morte pela doença, algo que não acontecia desde 1997.
Os dados, analisados a partir de boletins da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e da plataforma IntegraSUS, confirmam uma tendência de queda observada após anos de alta mortalidade. O cenário mais crítico da série histórica foi em 2013, quando o Estado contabilizou 70 óbitos, seguido por 2015 (67) e 2011 (66). Já em 2023 e 2024, as mortes se mantiveram em nove por ano, com redução gradual no número de infectados.
Segundo o secretário-executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Silva Lima Neto, conhecido como Tanta, o avanço no controle da dengue está diretamente ligado à ampliação da testagem laboratorial. Em 2025, cerca de 80% dos diagnósticos foram confirmados em laboratório, uma mudança significativa em relação aos anos anteriores, quando predominava o critério clínico-epidemiológico.
A adoção mais ampla do teste molecular RT-PCR, capaz de identificar precocemente o vírus e seu sorotipo, permitiu maior precisão na vigilância e no tratamento dos pacientes. Com o diagnóstico mais rápido, houve melhora no acompanhamento clínico, no acesso a serviços especializados e na hidratação adequada, fator essencial para evitar complicações da doença.
Apesar do cenário favorável, a tranquilidade de 2025 veio acompanhada de um sinal de alerta: a identificação do sorotipo 3 da dengue (DENV-3) nos municípios de Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte e Barbalha. A circulação ocorreu após o fim da quadra chuvosa, o que pode ter limitado a disseminação imediata.
O temor para 2026 está na baixa imunidade da população em relação a esse sorotipo, que não tem circulação significativa no Ceará desde o período entre 2003 e 2007. Isso significa que grande parte dos cearenses nunca teve contato com o DENV-3, tornando o ambiente propício a um possível surto.
Além disso, a ciência aponta que infecções sucessivas por sorotipos diferentes aumentam o risco de formas graves da dengue. Como muitos moradores do Estado já foram infectados pelos tipos 1, 2 ou 4, o retorno do sorotipo 3 representa uma ameaça relevante à saúde pública.
Diante desse cenário, o governo estadual planeja reforçar os alertas, especialmente na região do Cariri, além de intensificar a vigilância laboratorial e ampliar a vacinação. A preocupação aumenta com a chegada do período chuvoso, entre fevereiro e maio. Caso o vírus encontre altos índices de infestação do mosquito Aedes aegypti no início de 2026, o quadro de controle observado em 2025 pode rapidamente se transformar.
Fonte: Diário do Nordeste
Baixa transmissão marca 2025 no Ceará, mas ameaça viral reacende vigilância
janeiro 12, 2026
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