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Foto reprodução: G1 |
Os números incluem atendimentos ambulatoriais e hospitalares lançados nos sistemas oficiais do SUS (SIA e SIH) e não representam, necessariamente, o total de pacientes ou diagnósticos fechados, já que uma mesma pessoa pode passar por mais de um atendimento. Ainda assim, especialistas avaliam que a tendência de alta reflete mudanças importantes no comportamento masculino, maior acesso aos serviços de saúde e o aumento de fatores que comprometem a fertilidade.
Segundo o urologista Guilherme Guimarães, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o crescimento não deve ser interpretado apenas como um aumento direto da infertilidade, mas como um indicativo de que mais homens estão buscando avaliação médica e sendo expostos a fatores de risco com maior frequência.
Alta após a pandemia
Após oscilações ao longo da década, os registros passaram a crescer de forma mais consistente a partir de 2021, período que coincide com a retomada dos atendimentos após a fase mais crítica da pandemia de Covid-19 e a reorganização dos serviços de saúde. Para o urologista e andrologista Rafael Ambar, os dados refletem o que já vem sendo observado nos consultórios.
De acordo com o especialista, além da maior procura por atendimento, há uma incidência crescente de fatores que prejudicam a fertilidade masculina, como obesidade, sedentarismo, uso de anabolizantes, exposição à poluição ambiental e o adiamento da decisão de ter filhos.
Fator masculino é frequente
A infertilidade é caracterizada pela ausência de gravidez após um ano de relações sexuais regulares sem contraceptivos. Estudos mostram que o fator masculino está presente em cerca de 40% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, isoladamente ou em associação a fatores femininos.
Para o urologista Romulo Nunes, do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), a avaliação do homem desde o início é fundamental. Segundo ele, concentrar a investigação apenas na mulher pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, já que a infertilidade deve ser encarada como um problema do casal.
Principais causas
A infertilidade masculina engloba diferentes alterações clínicas. Entre as causas mais comuns estão a varicocele dilatação das veias dos testículos, muitas vezes tratável, distúrbios hormonais, infecções do trato genital, doenças genéticas e sequelas de tratamentos contra o câncer.
Nos últimos anos, porém, fatores ligados ao estilo de vida têm ganhado maior peso. Obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de anabolizantes, exposição a poluentes, agrotóxicos e calor excessivo estão entre os principais agravantes. Esses fatores favorecem inflamação crônica, alterações hormonais e piora da qualidade do sêmen.
Idade também influencia
Embora seja comum associar a fertilidade apenas à idade da mulher, especialistas alertam que a capacidade reprodutiva masculina também diminui com o tempo. A partir dos 40 anos, há redução progressiva da qualidade do sêmen e aumento do risco de alterações genéticas, o que pode dificultar a concepção e elevar o tempo necessário para engravidar.
Condição silenciosa, mas tratável
Na maioria dos casos, a infertilidade masculina não apresenta sintomas evidentes. O homem costuma se sentir saudável e manter a função sexual preservada, descobrindo o problema apenas após tentativas frustradas de engravidar. Ainda assim, sinais como varicocele visível, dor testicular, histórico de doenças ou uso de hormônios merecem investigação.
Uma parte significativa dos casos é reversível, principalmente quando associada a causas adquiridas. Tratamento de varicocele, correção de infecções e mudanças no estilo de vida podem melhorar os parâmetros seminais. Quando essas medidas não são suficientes, técnicas de reprodução assistida podem ser indicadas.
Especialistas ressaltam que mitos e tabus ainda atrasam o diagnóstico, como a crença de que ereção e ejaculação garantem fertilidade ou de que a reposição de testosterona ajuda a engravidar. Para eles, quanto mais cedo o homem procura avaliação médica, maiores são as chances de identificar causas tratáveis e evitar procedimentos mais complexos.
Fonte: G1

