Dólar chega a R$ 3,65 em Fortaleza

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Na sexta-feira (13), o dólar comercial registrou alta de 2,77%, encerrando cotado a R$ 3,2469, maior valor em 12

O dólar comercial disparou nesta sexta-feira (13), chegando a R$ 3,28 ao longo do dia e fechando com alta de 2,77%, a R$ 3,249 - maior valor de fechamento dos últimos 12 anos, segundo dados do Banco Central, que aponta em 4 de abril de 2003 o fechamento da moeda a R$ 3,2469.Na semana, a moeda registrou alta de 6,3%. No acumulado do mês, a valorização foi de 13,76%, chegando no ano a subir 22,2% em relação ao real. Face a outras moedas estrangeiras, a alta foi menos expressiva. Em 2015 o dólar avançou cerca de 5% contra os pesos mexicano e chileno, 8% ante o rand sul-africano e 13% contra a lira turca.

Ontem, no terceiro dia consecutivo de elevação da moeda americana no Brasil, a flutuação do câmbio impactou diretamente nos preços do dólar turismo comercializado nas casas de câmbio de Fortaleza, variando de R$ 3,37 a R$ 3,49 no preço para compra da moeda em espécie. O valor do dólar turismo no cartão, incluindo o valor do IOF, oscilou entre R$ 3,53 e R$ 3,65.

Euro

Longe do avanço exponencial no valor da moeda americana, o euro também experimentou flutuação de preços entre os operadores de câmbio na Capital cearense. Em espécie, o euro variou de R$ 3,50 a R$ 3,65, enquanto no cartão os preços da moeda europeia oscilaram de R$ 3,70 a R$ 3,84.

Os valores comerciados para o euro, porém, não surpreendem ao economista Célio Fernando. "Os preços seguem dentro do patamar que a moeda já vinha sendo comercializada. Ao contrário do dólar, que disparou e já está muito próximo do euro. Então não está tão caro viajar para Europa", pondera.

Para o economista Ricardo Eleutério, a alta desenfreada do dólar indicam o "empobrecimento" do País. "Um dos sinais do empobrecimento de uma economia é quando a moeda perde seu valor interno, o que chamamos de inflação. Outro indicador é quando a moeda perde o valor externo. E isso acontece quando o câmbio sobe", explica.

Em relação à flutuação de preços da moeda entre as casas de câmbio, ele compara com outros situações do mercado. "Assim como podemos encontrar diferentes preços de produtos, como uma camisa, por exemplo, existe diferença de preços entre as casas de câmbio. Só que negociando é possível conseguir um preço um pouco menor. Mas a questão é que o dólar comercial teve uma ascensão exponencial nos últimos anos do governo Dilma. No ano passado, ele subiu 13%. Em 2013 teve 15% de alta. Se considerarmos de 2011 a 2014 a alta do dólar comercial chegou a 50%. No acumulado desse ano, até hoje a alta do câmbio supera os 20%. E se contabilizarmos os quatro anos do governo Dilma somados a esses dois meses e meio de 2015 temos mais de 60% de alta do dólar", analisa.

Conforme o economista, o que se constata é uma perda mais acelerada do valor externo do que do valor interno.

Causas

Entre as causas do "empobrecimento" do País, ele aponta fatores como a alta do risco Brasil, a flutuação do câmbio e a balança comercial deficitária, que gera mais escassez.

"O risco país faz com que as empresas consigam captar menos no mercado internacional. Há também uma chance maior de os Estados Unidos aumentarem a taxa de juros, o que deve acontecer até o meio deste ano. Associado a tudo isso, temos um quadro político bastante complicado, com a corrosão dos três poderes, o que tem botado mais combustível nessa fogueira". Para o economista, o País pode entrar numa crise institucional, se esse cenário persistir.

"As manifestações populares que estão acontecendo, tendem a impulsionar ainda mais o crescimento do dólar. Enquanto isso o Ministério da Economia sinalizou há cerca de dez dias que pretende diminuir a entrada do Banco Central na economia, deixando o dólar flutuar mais livremente. Com o valor do swap cambial menor, o dólar vai subir cada vez mais", projeta.

Opinião do especialista

Volatilidade da moeda impede planejamento

O câmbio livre não é problema. O maior problema que temos hoje é a volatilidade das moedas estrangeiras. Porque a volatilidade é o que impede o planejamento e a tomada de decisão. Minha opinião em relação ao mercado é que nesse momento há um exagero na oscilação da moeda americana. Isso porque a agenda do governo está confusa nesse sentido. A articulação do governo no Congresso não está direcionada à agenda prioritária do País que é a reforma política.

E isso está afetando a economia. O Brasil precisa de uma agenda política prioritária para poder conduzir as medidas econômicas. E a falta disso é que está gerando essa volatilidade em meio ao cenário de tempestade que está ocorrendo no Brasil. Então o problema não é a flutuação do câmbio, mas o fato dele estar flutuando sem densidade, sem domínio.

Célio Fernando
Economista

Ângela Cavalcante
Repórter
Diário do Nordeste
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