
Foto reprodução: G1
O sangue menstrual, por muito tempo ignorado pela ciência, começa a ganhar protagonismo em pesquisas que podem revolucionar o diagnóstico de doenças ginecológicas especialmente a endometriose, condição que afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo.
A história da norte-americana Emma Backlund ilustra bem esse cenário. Desde a adolescência, ela sofria com dores intensas durante a menstruação, acompanhadas de vômitos e limitações na rotina. Mesmo assim, levou 13 anos para descobrir que tinha endometriose um problema crônico em que o tecido do útero cresce fora dele. Hoje, ela participa de estudos enviando amostras do próprio sangue menstrual para análise, na esperança de ajudar outras mulheres a terem diagnóstico mais rápido.
Esse tipo de iniciativa é liderado por empresas como a NextGen Jane, que investiga o potencial do sangue menstrual como ferramenta diagnóstica. Diferente de exames tradicionais, como a laparoscopia (cirurgia invasiva atualmente necessária para confirmação da endometriose), a proposta é criar testes simples, acessíveis e feitos até em casa.
Pesquisadores como Ridhi Tariyal defendem que o sangue menstrual funciona como uma espécie de “biópsia natural”, já que contém uma mistura rica de células, proteínas, hormônios e tecidos do sistema reprodutivo. Isso permite acessar informações que não aparecem em exames comuns de sangue ou saliva.
Estudos também conduzidos por Christine Metz apontam diferenças importantes em mulheres com endometriose, como alterações no sistema imunológico e em células responsáveis pela regeneração do útero. Essas descobertas ajudam na busca por biomarcadores sinais biológicos capazes de indicar a presença da doença sem الحاجة de cirurgia.
Além da endometriose, o sangue menstrual pode revelar indícios de outras condições, como câncer de endométrio, infertilidade, distúrbios hormonais e até doenças autoimunes. Empresas como a Qvin já avançaram nesse campo, criando absorventes capazes de medir níveis de glicose e até detectar infecções, com aprovação da Food and Drug Administration.
Apesar do potencial, os estudos ainda enfrentam desafios principalmente o tabu cultural em torno da menstruação e o baixo investimento em saúde feminina. Para se ter ideia, essa área recebeu apenas cerca de 5% dos recursos globais de pesquisa em 2020.
Mesmo assim, especialistas acreditam que estamos diante de uma transformação. Se os testes baseados em sangue menstrual se tornarem realidade, milhões de mulheres poderão receber diagnóstico mais rápido, menos invasivo e mais preciso reduzindo anos de sofrimento silencioso e melhorando significativamente a qualidade de vida.
Fonte: G1
https://sistemaparaiso.com.br/saude/sangue-menstrual-revela-segredos-da-saude-feminina/
abril 06, 2026
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