
Foto reprodução: G1
O Japão aprovou um tratamento considerado inovador para a doença de Parkinson, baseado no uso de células-tronco para substituir neurônios danificados no cérebro. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (6) e abre caminho para que a terapia comece a ser oferecida a pacientes ainda em 2026.
O medicamento, chamado Amchepry, foi desenvolvido pela farmacêutica Sumitomo Pharma. A técnica consiste no transplante de células produzidas em laboratório diretamente no cérebro dos pacientes.
Segundo a empresa, o tratamento recebeu uma aprovação condicional e por tempo limitado das autoridades de saúde japonesas. Isso significa que ele poderá ser utilizado enquanto novos estudos continuam avaliando a segurança e a eficácia da terapia em um número maior de pessoas.
Caso seja plenamente confirmado, o medicamento pode se tornar o primeiro tratamento comercial do mundo baseado em células iPS, as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas.
Células “reprogramadas” em laboratório
As células iPS são produzidas a partir de células adultas do próprio organismo como células da pele — que passam por um processo de reprogramação genética e voltam a um estado semelhante ao de células embrionárias. A partir disso, elas podem ser transformadas em diversos tipos de células do corpo humano.
A tecnologia foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina.
No caso do novo tratamento, essas células são transformadas em precursoras de neurônios produtores de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos. Na doença de Parkinson, esses neurônios são progressivamente destruídos, causando sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão nos movimentos.
Como funciona o procedimento
Testes clínicos realizados por pesquisadores da Universidade de Kyoto implantaram células derivadas de iPS diretamente no cérebro de pacientes com Parkinson.
O estudo contou com sete voluntários, com idades entre 50 e 69 anos. Cada participante recebeu entre cinco e dez milhões de células transplantadas em cada lado do cérebro.
As células utilizadas vieram de doadores saudáveis e foram cultivadas em laboratório até se transformarem em precursoras de neurônios dopaminérgicos justamente os que faltam no cérebro das pessoas com a doença.
De acordo com os pesquisadores, o procedimento demonstrou segurança e sinais de melhora nos sintomas dos participantes.
Nova terapia para o coração também foi aprovada
Além do tratamento contra Parkinson, o Ministério da Saúde japonês também autorizou o uso do ReHeart, desenvolvido pela startup médica Cuorips.
A tecnologia utiliza lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório, que podem ser aplicadas sobre o coração para estimular a formação de novos vasos sanguíneos e melhorar a função cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca grave.
Segundo o governo japonês, os dois tratamentos devem começar a chegar aos pacientes a partir de meados deste ano.
Doença afeta milhões de pessoas
A Doença de Parkinson é um transtorno neurológico crônico e degenerativo que afeta principalmente o sistema motor do corpo.
De acordo com a Parkinson’s Foundation, cerca de 10 milhões de pessoas no mundo convivem com a doença.
Embora existam medicamentos capazes de aliviar os sintomas, ainda não há cura ou tratamentos que consigam restaurar completamente as células perdidas no cérebro motivo pelo qual terapias regenerativas com células-tronco vêm sendo vistas como uma das maiores esperanças da medicina atual.
Fonte: G1
