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| Foto reprodução: G1 |
O procedimento estético conhecido como Brazilian butt lift (BBL), procurado por quem deseja aumentar os glúteos, passou a ser alvo de debate no Parlamento do Reino Unido. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (18), o Comitê de Mulheres e Igualdade recomendou mudanças na legislação para restringir a realização de procedimentos estéticos de alto risco exclusivamente a médicos.
Atualmente, o Reino Unido não possui regras claras que determinem quais profissionais podem executar intervenções não cirúrgicas, o que, segundo o documento, criou um mercado praticamente “sem lei”. O relatório aponta que alguns procedimentos têm sido realizados em locais improvisados, como imóveis alugados por temporada, quartos de hotel e até espaços inadequados, apesar de envolverem técnicas invasivas e com riscos significativos.
Entre eles está a versão chamada de “BBL não cirúrgico”, feita com aplicação de preenchedores como ácido hialurônico. Nos últimos anos, foram registrados casos de complicações graves e mortes após intervenções desse tipo no país.
No Brasil, a aplicação de ácido hialurônico nos glúteos popularmente conhecida como “harmonização de bumbum” pode ser realizada por profissionais habilitados conforme normas dos conselhos de classe. Já o uso do polimetilmetacrilato (PMMA), que também foi empregado para esse fim, passou a ter restrições após sucessivos relatos de complicações. O Conselho Federal de Medicina solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária a proibição do produto para fins estéticos, mantendo sua liberação apenas para indicações médicas específicas.
O BBL tradicional também chamado de gluteoplastia é uma cirurgia que utiliza gordura retirada de outras partes do corpo para enxerto nos glúteos. O procedimento é apontado como um dos que apresentam maior taxa de mortalidade entre as cirurgias plásticas e ganhou notoriedade internacional com a popularização do termo “Brazilian butt lift”.
Em agosto do ano passado, o governo britânico já havia sinalizado a intenção de restringir o BBL não cirúrgico a profissionais qualificados. No entanto, o novo relatório critica a lentidão do Executivo na criação de um sistema de licenciamento para procedimentos estéticos não cirúrgicos e pede maior agilidade na regulamentação.
A presidente do comitê, Sarah Owen, afirmou que os relatos colhidos durante a investigação evidenciam a urgência de mudanças. Entre os casos citados está o da britânica Sasha Dean, que entrou em coma após desenvolver sepse depois de um “BBL líquido”. Ela sofreu parada cardíaca, colapso pulmonar e falência renal, permanecendo cinco dias em coma induzido. Apesar de sobreviver, relata sequelas físicas e cognitivas.
O governo informou, por meio do Departamento de Saúde e Assistência Social, que pretende endurecer as regras para impedir a atuação de profissionais sem qualificação adequada. Pelos planos apresentados, procedimentos de alto risco ficariam restritos a profissionais de saúde regulamentados e sob inspeção da Comissão de Qualidade de Atendimento (Care Quality Commission), enquanto intervenções de menor risco seriam submetidas a sistemas de licenciamento municipais.
Um estudo do University College London apontou que existem atualmente mais de 5.500 clínicas que oferecem tratamentos estéticos não cirúrgicos no Reino Unido, sendo que apenas cerca de um terço dos profissionais que atuam nesses locais são médicos qualificados. O relatório também destaca a falta de padronização no treinamento, com casos de profissionais que realizam apenas cursos online antes de oferecer os procedimentos.
Fonte: G1

