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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta terça-feira (24) que um acordo com os Estados Unidos é possível, desde que a diplomacia seja colocada em primeiro plano. A declaração foi feita dois dias antes da terceira rodada de negociações entre os dois países, prevista para quinta-feira (26), em Genebra.
Em publicação na rede X, Araqchi disse que o Irã retomará as conversas com determinação para alcançar um acordo “justo e equilibrado” no menor tempo possível.
Advertência de “resposta feroz”
Na segunda-feira (23), o governo iraniano advertiu que qualquer ataque dos Estados Unidos mesmo que limitado provocaria uma reação “feroz”. A declaração veio após o presidente americano, Donald Trump, mencionar a possibilidade de uma ação militar caso as negociações fracassem.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou em coletiva em Teerã que “não existe ataque limitado” e que qualquer agressão será tratada como tal. Segundo ele, o Irã reagirá com base no direito à legítima defesa.
Enquanto pressiona por um acordo que inclua o programa nuclear iraniano, Trump enviou reforços navais e aéreos ao Oriente Médio, mas manteve aberta a via diplomática.
Risco de escalada
Também em Genebra, o vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi alertou para o risco de uma escalada regional e pediu que países comprometidos com a paz atuem para evitar o agravamento da crise.
O embaixador da China na ONU em Genebra, Shen Jian, defendeu que a questão nuclear iraniana não seja levada à confrontação.
Por cautela, os Estados Unidos determinaram a retirada de funcionários não essenciais da embaixada em Beirute. O movimento libanês pró-Irã Hezbollah declarou que não permanecerá neutro em caso de ataque americano.
Trump também negou informações de que o chefe do Estado-Maior dos EUA, Dan Caine, teria recomendado evitar uma intervenção militar em larga escala. Em sua rede Truth Social, o presidente afirmou que, embora Caine prefira evitar guerra, acredita que uma eventual ação militar seria de fácil vitória.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o país segue “vigilante e preparado para qualquer cenário”.
Terceira rodada na quinta-feira
Estados Unidos e Irã confirmaram que realizarão, na quinta-feira, uma nova rodada de conversas indiretas em Genebra, sob mediação de Omã. Será o terceiro encontro desde o início de fevereiro.
Araqchi afirmou no domingo que há “boas possibilidades” de uma solução diplomática em que todos saiam ganhando. Segundo ele, uma primeira versão de texto deve ser apresentada em breve à equipe americana, liderada pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Trump.
As negociações anteriores foram interrompidas em junho de 2025, após o conflito desencadeado por Israel contra o Irã, quando Washington bombardeou instalações nucleares iranianas. Na ocasião, Trump afirmou ter “aniquilado” o programa nuclear do país, embora o alcance real dos danos não tenha sido confirmado.
Países ocidentais temem que Teerã busque desenvolver armas nucleares, enquanto o governo iraniano sustenta que seu programa tem fins exclusivamente civis.
A tensão bilateral também aumentou após a repressão, em janeiro, a protestos antigovernamentais no Irã. Nos últimos dias, novos atos foram registrados, incluindo manifestações de estudantes em uma universidade de Teerã, onde vídeos mostram a queima da bandeira adotada após a Revolução de 1979.
Fonte: G1
