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O Ceará poderá receber, nos próximos dias, um reforço significativo no volume de água transferido pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). A Secretaria dos Recursos Hídricos do Estado (SRH) informou que o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) avalia autorizar a ampliação da vazão do Canal Norte, elevando o envio de 5 para 10 metros cúbicos por segundo (m³/s) em direção ao açude Castanhão.
Atualmente, o bombeamento está temporariamente suspenso por questões técnicas. De acordo com a SRH, estão em andamento serviços de instalação de novas bombas na Estação Elevatória de Salgueiro, em Pernambuco. A expectativa é que, com a conclusão dessa etapa, o fluxo seja retomado já com capacidade ampliada.
O secretário executivo da SRH, Ramon Rodrigues, explica que o cenário hidrológico é favorável à transferência. Segundo ele, as recentes chuvas garantiram escoamento ativo no Riacho Seco e no Rio Salgado, cursos d’água situados a jusante da Barragem de Jati, que se encontra cheia e vertendo. Essa condição, destaca, contribui para reduzir perdas por infiltração ao longo do percurso e melhora a eficiência do transporte hídrico até o Castanhão.
O pedido de ampliação da vazão foi formalizado pelo governo estadual com o objetivo de assegurar o abastecimento humano prioridade do projeto federal e também dar suporte às atividades econômicas no Baixo Jaguaribe e na Região Metropolitana de Fortaleza.
A solicitação ocorre dias após o Comitê da Bacia do Jaguaribe deliberar pela redução de 4 m³/s na vazão liberada pelo Castanhão para o Baixo Jaguaribe, medida que gerou insatisfação entre produtores dos perímetros irrigados, como o Jaguaribe-Apodi, importante polo de fruticultura do Estado.
Segundo a SRH, as águas que atualmente vertem da Barragem de Jati seguem o curso natural do sistema hidráulico vinculado ao Canal Norte do PISF e não estão sendo direcionadas ao Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Caso a autorização do MIDR seja confirmada, a água acumulada em Jati poderá ser redirecionada ao CAC e, por gravidade, percorrer o Riacho Seco, o Rio Salgado e, posteriormente, o Rio Jaguaribe, até alcançar o Castanhão.
Idealizado ainda no século XIX e transformado em projeto no início dos anos 2000, o PISF atravessou diferentes gestões federais, enfrentou entraves técnicos, questionamentos e paralisações ao longo de quase duas décadas. Hoje, com a infraestrutura em fase avançada, o sistema se consolida como peça estratégica para ampliar a segurança hídrica no Ceará e em outros estados do Nordeste.

