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A Petrobras vem adotando uma política de redução nos preços. O reajuste mais recente ocorreu em 27 de janeiro, quando o valor do litro da gasolina caiu R$ 0,14 nas refinarias. Desde janeiro de 2023, o preço médio do combustível vendido às distribuidoras passou de R$ 3,31 para R$ 2,57, uma queda de R$ 0,74.
Nos postos da capital cearense, no entanto, a realidade é diferente. Em janeiro de 2023, o preço médio da gasolina era de R$ 5,59. Já no levantamento mais recente da ANP, referente ao período de 25 a 31 de janeiro de 2026, o valor médio chegou a R$ 6,52 — um aumento de quase R$ 1 por litro.
O impacto é direto no bolso do consumidor. Para abastecer um tanque de 50 litros, o custo subiu de R$ 279,60 para R$ 326, o que representa um acréscimo de R$ 47. Atualmente, o Ceará possui a gasolina mais cara do Nordeste e a décima mais cara do país. A média nacional é de R$ 6,33, com alta acumulada de 27% nos últimos três anos.
Margens, tributos e etanol explicam diferença
Especialistas apontam que a disparidade entre o preço nas refinarias e o valor final ao consumidor está relacionada à maior participação das margens de distribuição e revenda na composição do preço. Segundo o pesquisador Iago Montalvão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), esse componente passou de 16,8% para 19,1% do preço final em quase dois anos.
No sentido oposto, a participação do preço da refinaria caiu. “Em julho de 2023, o valor nas refinarias representava cerca de 35% do preço total da gasolina. Em dezembro de 2025, essa fatia recuou para 30,1%”, explica Montalvão.
Outros fatores também pressionaram os preços. De acordo com o consultor Bruno Iughetti, mudanças na composição da gasolina, com aumento da proporção de etanol para 30%, elevaram o custo do combustível. Além disso, houve reajuste nos tributos estaduais. “O ICMS sofreu aumento a partir de janeiro de 2026, o que impacta diretamente o valor pago pelo consumidor”, destaca.
Procurado, o Sindicato dos Postos de Combustíveis do Estado do Ceará (Sindipostos-CE) não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
Petróleo mais barato e expectativa de novas reduções
A queda nos preços praticados pela Petrobras está ligada, principalmente, à desvalorização do petróleo no mercado internacional, que acumulou recuo de 21% entre janeiro e dezembro de 2025. Com esse cenário, ainda há margem para novas reduções no preço do combustível, avalia Iago Montalvão.
A Petrobras informou que os preços ao consumidor final são definidos no âmbito estadual, conforme regras e decisões das agências reguladoras, e não são controlados diretamente pela estatal.

