Foto reprodução: CNN Brasil
A lei que restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras completa um ano nesta terça-feira (13) e, na avaliação de especialistas, apresenta resultados amplamente positivos para o ambiente educacional. Gestores e educadores relatam avanços significativos no cotidiano escolar, com diminuição das distrações, maior foco nas atividades pedagógicas e fortalecimento das relações interpessoais entre os estudantes.
Para Christine Lourenço, diretora pedagógica do grupo Salta Educação, a limitação do uso irrestrito dos aparelhos contribuiu de forma decisiva para a retomada da atenção em sala de aula e para a valorização das interações humanas. Segundo ela, os ambientes escolares tornaram-se mais tranquilos, com maior participação dos alunos e uma rotina menos fragmentada. “Embora a lei não resolva todos os desafios da educação contemporânea, ela criou condições muito mais favoráveis ao ensino e à aprendizagem”, avalia.
Na mesma linha, Paulo Henrique Lopes de Aquino, diretor corporativo de educação da rede Santa Catarina, aponta impactos claros em três dimensões centrais: atenção, engajamento e convivência. De acordo com ele, a redução do tempo de tela favoreceu o raciocínio contínuo, a participação ativa dos alunos e o desenvolvimento de competências socioemocionais. “Ao limitar o uso do celular, abrimos espaço para o pensamento crítico, a empatia e a autorregulação, elementos essenciais para o projeto de vida dos estudantes”, destaca.
A adaptação à nova norma ocorreu de forma mais rápida do que o esperado. Apesar do receio inicial de resistência, alunos e professores assimilaram a mudança com relativa facilidade. Gabriel Milaré, coordenador pedagógico do grupo Salta, descreve a recepção como surpreendentemente positiva, marcada inclusive por um sentimento de alívio entre os docentes.
Os efeitos na concentração e no engajamento dos alunos também são evidentes. Há relatos de aumento no tempo de atenção sustentada, maior participação em debates e melhor desempenho em atividades coletivas. Embora ainda seja cedo para atribuir ganhos acadêmicos mensuráveis exclusivamente à medida, os indícios de melhoria na qualidade das interações pedagógicas são consistentes, com aulas mais dialogadas e trabalhos em grupo mais produtivos.
No campo comportamental, a convivência presencial ganhou novo fôlego. O intervalo escolar, por exemplo, voltou a ser um espaço de socialização efetiva, com jogos, conversas e trocas fundamentais para o desenvolvimento socioemocional. Além disso, a restrição ao uso do celular ajudou a reduzir a pressão das redes sociais, diminuindo comparações excessivas e sinais de ansiedade entre os estudantes.
Um dos desafios iniciais, segundo Milaré, foi a necessidade de alinhar expectativas entre escola e família, especialmente em relação ao uso do celular para comunicação com os pais. Esse processo evidenciou a importância de uma reeducação coletiva e de um diálogo permanente. Para os especialistas, a restrição não deve ser vista como uma solução isolada, mas como parte de um esforço mais amplo de educação para o uso consciente da tecnologia.
Nesse contexto, a escola passou a assumir um papel formativo mais ativo, ampliando o debate sobre quando, como e para que utilizar os recursos digitais. Projetos de educação digital e o fortalecimento do diálogo com as famílias reforçam a compreensão de que a medida integra uma política de proteção à infância e à adolescência.
Para Aquino, estabelecer limites é uma forma de promover liberdade. “Libertamos o estudante para explorar o mundo real. A escola precisa ser um espaço seguro frente à hiperestimulação digital, onde a tecnologia esteja a serviço da pedagogia e o aluno possa estar plenamente presente”, afirma. Milaré conclui destacando que a lei vai além do aspecto disciplinar: “Trata-se de uma oportunidade concreta de cuidado com a saúde mental dos jovens, que exige parceria constante entre escola e família”.
Fonte: CNN Brasil

