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Trump critica Reino Unido por entregar ilhas estratégicas

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Trump critica Reino Unido por entregar ilhas estratégicas
Foto reprodução: G1

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente nesta terça-feira (20) a decisão do Reino Unido de transferir a soberania do arquipélago de Chagos, no Oceano Índico, para as Ilhas Maurício. Para Trump, a medida representa uma “grande estupidez” e um “ato de total fraqueza” do governo britânico.

Em declaração, o presidente afirmou que Londres planeja entregar a ilha de Diego Garcia onde funciona uma base militar estratégica dos Estados Unidos “sem qualquer motivo”, alertando que a decisão não passaria despercebida por potências como China e Rússia. Segundo Trump, esses países “só respeitam a força” e veriam a concessão como sinal de fragilidade do Reino Unido.

Trump também relacionou o episódio a argumentos de segurança nacional usados por ele para defender a aquisição da Groenlândia, afirmando que aliados europeus precisam “fazer a coisa certa”.

O governo britânico, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, saiu em defesa do acordo. Em 2024, o Reino Unido aceitou devolver as ilhas Chagos às Ilhas Maurício, ex-colônia britânica situada na costa leste da África, a cerca de dois mil quilômetros do arquipélago. O entendimento prevê, no entanto, a manutenção da base militar de Diego Garcia por meio de um arrendamento de 99 anos.

O arquipélago de Chagos é formado por seis atóis e mais de 600 ilhas, localizadas entre a África e a Indonésia. Embora tenha pertencido historicamente a Maurício, o território foi separado pelo Reino Unido em 1965, três anos antes da independência do país africano. Diego Garcia tornou-se um dos principais pontos estratégicos das forças armadas dos EUA e do Reino Unido no Oceano Índico, sendo utilizada em operações militares recentes no Oriente Médio e no Afeganistão, além de missões humanitárias.

A presença humana nas ilhas é marcada por controvérsia. No fim das décadas de 1960 e 1970, cerca de duas mil pessoas conhecidas como chagossianos foram removidas à força para viabilizar a instalação da base. Atualmente, estima-se que cerca de quatro mil descendentes vivam fora do arquipélago, principalmente no Reino Unido.

A transferência de soberania ganhou força após uma decisão não vinculante da Corte Internacional de Justiça, em 2019, que considerou ilegal a separação de Chagos de Maurício. Sob pressão internacional, Londres firmou o acordo definitivo em outubro de 2024 e, em 2025, anunciou o pagamento anual de 101 milhões de libras a Maurício para garantir a continuidade da base militar.

Inicialmente, os Estados Unidos acolheram o acordo, que também recebeu apoio de países como Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Índia. O próprio Trump havia manifestado apoio preliminar à iniciativa antes da assinatura. No entanto, posteriormente, integrantes do governo americano, como o secretário de Estado Marco Rubio, passaram a expressar preocupações com riscos à segurança, especialmente diante do avanço da influência chinesa na região.

O acordo também enfrenta críticas internas. O atual primeiro-ministro de Maurício, Navin Ramgoolam, pediu uma reavaliação dos termos, enquanto parte da comunidade chagossiana protesta por não ter sido consultada. No Reino Unido, a líder da oposição, Kemi Badenoch, classificou a transferência como um “ato completo de autossabotagem”, afirmando que a medida enfraquece o país e seus aliados da Otan.

Fonte: G1

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