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Redes sociais e os riscos do debate digital

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Redes sociais e os riscos do debate digital
Foto reprodução: G1

Em pouco mais de 20 anos, as redes sociais deixaram de ser novidade para se tornar parte central da vida cotidiana. Essa dependência está diretamente ligada à necessidade humana de socialização. À medida que atividades como trabalho, consumo e finanças migraram para o ambiente digital, a vida social acompanhou o mesmo caminho. Hoje, a busca por validação seja sobre aparência, opiniões ou escolhas pessoais tornou-se um elemento frequente na construção da autoimagem.

Esse cenário é ainda mais preocupante entre crianças e adolescentes. Nessa fase, emoções intensas e a busca por recompensas convivem com uma capacidade limitada de controle dos impulsos. A neurociência mostra que o sistema límbico amadurece mais cedo, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo autocontrole, se desenvolve apenas na fase adulta. Esses fatores devem orientar políticas públicas e o debate sobre idade mínima para o uso das redes, como já ocorre em países como Austrália, França e Itália.

Mas, afinal, estamos à mercê dos algoritmos? Em grande parte, eles definem quais conteúdos vemos com base em preferências anteriores, interações e critérios como viralização e engajamento. Ainda assim, não se pode afirmar que somos totalmente conduzidos por eles. Os algoritmos sugerem caminhos, mas as escolhas finais continuam sendo individuais. Fatores econômicos, ideológicos e morais também influenciam o comportamento, assim como a resistência de muitos usuários em sair de suas próprias bolhas.

Embora seja comum atribuir às plataformas a polarização social, estudos indicam que, mesmo quando há oferta de conteúdos diversos, os usuários tendem a escolher informações alinhadas às suas crenças. As decisões individuais têm peso maior na limitação da diversidade informacional do que as escolhas algorítmicas. Mais tempo de exposição e mais interações, porém, estão associados ao aumento da polarização uma das marcas das transformações sociais recentes.

No debate sobre viés ideológico, pesquisas mostram que grupos políticos com maior capacidade de articulação digital tendem a se destacar. No Brasil e nos Estados Unidos, houve crescimento expressivo de comunidades conservadoras nas redes, mas em países como Colômbia e México, movimentos progressistas tiveram maior protagonismo. Isso indica que não existe um viés ideológico único nas plataformas; o que se repete é a facilitação da entrada de novos atores no debate público, geralmente dispostos a desafiar o status quo.

A ascensão da inteligência artificial adiciona novos desafios. Ferramentas de IA já transformam mecanismos de busca e permitem a produção massiva e automatizada de textos, imagens e vídeos, ampliando os riscos de manipulação política e ideológica. Diante disso, a transparência torna-se essencial. A identificação clara de contas automatizadas e a responsabilização por abusos são medidas fundamentais, assim como o investimento em educação midiática e digital.

Outro ponto central é a concentração do poder nas grandes plataformas. As Big Techs acumulam influência econômica e informacional, orientadas por incentivos que priorizam o tempo de permanência dos usuários. Além disso, a tecnologia tornou-se um campo de disputa geopolítica, reacendendo preocupações sobre controle da informação e conflitos entre interesses públicos e privados. Exemplos como o sistema de censura digital da China e plataformas associadas a lideranças políticas evidenciam esses riscos.

Sem regulação adequada, as plataformas tendem a privilegiar conteúdos sensacionalistas e polarizadores. Pesquisas acadêmicas têm mostrado que polarização e radicalização são processos resultantes da interação entre indivíduos, grupos e algoritmos, formando padrões de isolamento e conflito que podem se intensificar ao longo do tempo.

A regulação das redes sociais é, portanto, necessária, mas deve ser cuidadosamente construída. A liberdade de expressão é um pilar democrático, mas comportamentos inaceitáveis no mundo físico não podem ser tolerados no ambiente digital. Um caminho possível é tratar as plataformas como atividades econômicas, regulando conteúdos impulsionados e monetizados, assim como ocorre com a publicidade tradicional. Trata-se de uma regulação econômica, não ideológica.

Por fim, a superação da polarização não depende apenas de leis ou tecnologia. Exige também uma postura individual e coletiva de abertura ao diálogo. É fundamental criar espaços inclusive nas universidades onde opiniões divergentes possam coexistir sem violência. Isolar-se em bolhas ideológicas apenas aprofunda os conflitos e enfraquece a vida democrática.

Fonte: G1

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