
Foto reprodução: Agência Brasil
Após quatro décadas de folia, a decisão de encerrar as atividades foi tomada como um fechamento natural de ciclo
Após quatro décadas de folia, a decisão de encerrar as atividades foi tomada como um fechamento natural de ciclo. “Completamos 40 anos e achamos que nossa missão foi cumprida. Ajudamos a revitalizar o carnaval de rua do Rio de Janeiro. Hoje há milhares de blocos mais jovens, fanfarras e uma diversidade enorme. Estamos satisfeitos”, afirmou à Agência Brasil o fundador e presidente do Suvaco do Cristo, João Avelleira.
Segundo ele, o fim do bloco não tem relação com burocracia ou dificuldades operacionais, mas apenas com o simbolismo do tempo. “Quarenta anos é bastante tempo. Temos certeza de que nosso DNA está presente em muitos blocos que desfilam hoje. Servimos de estímulo para muita gente”, destacou. Mesmo com a despedida anunciada, o Suvaco chegou a se inscrever para o carnaval de 2026 na Riotur, como sempre fez, entre os mais de 800 blocos que solicitaram autorização à prefeitura.
Para preservar a história construída desde 1986, está em fase de desenvolvimento o Museu Virtual do Suvaco do Cristo, que reunirá fotos, sambas, gravações e registros históricos do bloco. A expectativa é que o acervo completo esteja disponível ainda em 2026, com acesso gratuito ao público e a pesquisadores. “Vamos deixar essa memória registrada para todos”, disse Avelleira.
O último desfile também será registrado em filme, produzido pela Casé Filmes, com argumento do jornalista e especialista em carnaval Aydano André Motta e do roteirista Leonardo Bruno. A produção vai revisitar os 40 anos do bloco e destacar seu legado. “Vamos terminar em grande estilo”, prometeu o fundador.
A criação do museu acontece em parceria com o Instituto de Computação da UFRJ, por meio de um projeto de extensão coordenado pela professora Anamaria Martins Moreira. A iniciativa envolve alunos de computação, história, história da arte e comunicação, em um trabalho multidisciplinar de catalogação e organização do acervo.
Parte do conteúdo já pode ser acessada no site oficial do bloco, como o registro do primeiro desfile, em 1986. A ideia é reunir informações ano a ano, com dados sobre sambas, contexto histórico, compositores e artistas responsáveis pelas camisetas. Reportagens antigas, um documentário sobre os primeiros 20 anos do Suvaco e outros materiais também integrarão o museu.
Nos próximos meses, a equipe trabalha para ampliar o acervo, começando por 2012 ano em que o bloco recebeu o Prêmio Serpentina de Ouro, do jornal O Globo, pela melhor fantasia. Para completar os registros dos primeiros anos, quando há menos fotos disponíveis, o Suvaco do Cristo deve recorrer à colaboração do público, solicitando doações de materiais pelas redes sociais.
Fonte: Agência Brasil
