![]() Foto reprodução: Agência Brasil |
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, afirmou nesta terça-feira (20), em entrevista à TV Brasil, que não há erros nos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação analisou 351 cursos de medicina em todo o país.
De acordo com os dados divulgados, cerca de 30% dos cursos tiveram desempenho considerado insatisfatório, classificação aplicada quando menos de 60% dos estudantes avaliados alcançam a proficiência. O desempenho no Enamed é utilizado no cálculo do conceito do Enade, que varia de 1 a 5 sendo as notas 1 e 2 consideradas insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC).
Os resultados, no entanto, vêm sendo questionados por entidades que representam instituições privadas de ensino superior. As associações apontam divergências entre os dados informados pelas faculdades ao sistema em dezembro de 2025 e os números divulgados recentemente, especialmente no total de estudantes considerados proficientes.
Palacios reconheceu que houve uma inconsistência na comunicação prévia enviada às instituições por meio do sistema eMEC, relacionada ao número de alunos que atingiram a proficiência. Segundo ele, o erro foi corrigido e não interferiu no cálculo dos indicadores de qualidade nem na classificação dos cursos.
“Houve um erro interno no Inep quanto a esse quantitativo, mas esse dado não foi utilizado para nenhum cálculo dos indicadores. O que ocorreu foi uma divulgação preliminar restrita às instituições, com informações incorretas”, explicou.
O presidente do Inep ressaltou que os boletins individuais dos estudantes, os resultados publicados por curso e os conceitos Enade atribuídos às instituições estão corretos e não apresentam qualquer inconsistência. “Os resultados são válidos e não houve qualquer intercorrência na publicação oficial”, afirmou.
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) afirmou que as inconsistências foram reconhecidas pelo próprio MEC e pelo Inep. A entidade destacou a publicação de sucessivas notas técnicas após a aplicação da prova e o encerramento do prazo de recursos, o que, segundo a associação, compromete a transparência, a segurança jurídica e a confiabilidade dos dados divulgados.
A ABMES também criticou a forma de divulgação dos microdados, alegando que a ausência de vínculo entre estudantes e instituições impede a verificação das informações e a apresentação adequada de questionamentos sobre os resultados.
O conceito Enade insatisfatório pode levar à adoção de medidas cautelares pelo MEC, como restrição de vagas e suspensão de novos ingressos em cursos de medicina. Diante das contestações, o Inep informou que abrirá um prazo de cinco dias, a partir da próxima segunda-feira (26), para que as instituições apresentem esclarecimentos e manifestações sobre os cálculos dos resultados.
Fonte: Agência Brasil

