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Desaparecimento de crianças e adolescentes cresce no Brasil e soma quase 24 mil casos em 2025

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Desaparecimento de crianças e adolescentes cresce no Brasil e soma quase 24 mil casos em 2025
Foto reprodução:

O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes ao longo de 2025, de acordo com informações encaminhadas pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número equivale a uma média de 66 ocorrências por dia envolvendo menores de 18 anos e representa um aumento de 8% em comparação com 2024.

Os dados revelam que a maioria dos desaparecidos nessa faixa etária é do sexo feminino. Do total contabilizado no ano passado, cerca de 61% eram meninas e adolescentes do sexo feminino, enquanto 38% eram do sexo masculino. Em pouco mais de 100 registros, não houve identificação do sexo.

Casos recentes reforçam a preocupação com o cenário. No Maranhão, o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, mobiliza moradores do povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. As crianças estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro, e as buscas já ultrapassaram três semanas.

As investigações contam com apoio do protocolo Amber Alert, mecanismo acionado em situações de risco envolvendo crianças e adolescentes. Segundo a coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, o alerta tem sido uma ferramenta relevante na tentativa de localização rápida das vítimas. Implantado em 2023 pelo Ministério da Justiça em parceria com a Meta, o sistema permite a divulgação de informações e imagens por meio de plataformas como Facebook e Instagram, alcançando usuários em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

Entre as unidades da federação, Roraima lidera o ranking de desaparecimentos de crianças e adolescentes por 100 mil habitantes, com taxa de 40 registros. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, com 28, e Amapá, com 24. Em média, o Brasil registrou 11 desaparecimentos de menores a cada 100 mil habitantes no último ano.

O painel nacional de Pessoas Desaparecidas e Localizadas também aponta uma diferença relevante quando se observa o recorte por sexo. Enquanto mais de 60% dos desaparecidos com menos de 18 anos são do sexo feminino, no total geral considerando todas as idades a maioria dos registros envolve homens, que representam 59% dos casos.

Para Iara Sennes, embora os dados indiquem desigualdades importantes, ainda não é possível identificar com precisão as causas dessas diferenças. “A dificuldade em qualificar os motivos dos desaparecimentos impede conclusões mais aprofundadas sobre as causalidades”, afirma. Segundo ela, a política pública voltada a pessoas desaparecidas ainda é recente e depende de maior integração com os estados para compreender melhor as variáveis regionais e de gênero.

Após uma redução observada durante o período da pandemia de Covid-19, os registros de desaparecimentos voltaram a crescer. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no país, considerando todas as faixas etárias o maior número desde o início da série histórica, em 2015. A taxa nacional ficou em 39 casos por 100 mil habitantes.

O estado de São Paulo concentra o maior volume absoluto de registros, com mais de 20 mil desaparecimentos, o equivalente a cerca de um quarto do total nacional. Já Roraima aparece novamente com o maior índice proporcional, superando 78 casos por 100 mil habitantes.

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