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| Foto reprodução: G1 |
Campanhas de saúde adotam cores como estratégia para chamar a atenção da população e estimular hábitos de prevenção ao longo de todo o ano. Algumas iniciativas, como o Outubro Rosa e o Setembro Amarelo, já fazem parte do imaginário coletivo, mas outros meses também são dedicados a alertas relevantes sobre diferentes doenças e cuidados com a saúde.
Embora não exista um calendário oficial único já que as cores podem variar conforme a instituição promotora, a utilização desse recurso é considerada uma ferramenta eficaz de comunicação em saúde pública. Especialistas defendem que, mesmo com a multiplicidade de campanhas, elas seguem cumprindo um papel fundamental na promoção da prevenção e do diagnóstico precoce.
Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, não é viável concentrar todas as ações preventivas em um único período. Segundo ele, algumas doenças, especialmente as mais prevalentes, precisam de espaço próprio no calendário. “Uma campanha isolada pode ter impacto maior, mas a prevenção exige tempo e continuidade. Nesses períodos específicos, sociedades médicas, imprensa e redes sociais se mobilizam, ampliando o alcance das informações”, destaca.
A efetividade dessas ações é respaldada por dados. Um estudo brasileiro publicado na revista Public Health in Practice, com base em informações de 2017 a 2021, apontou que o Outubro Rosa voltado à prevenção do câncer de mama elevou em até 39% o número de mamografias realizadas nos últimos três meses do ano.
Fernandes ressalta, no entanto, que a divulgação não pode ser a única frente de atuação. “Mesmo com visibilidade nas redes sociais, o poder público precisa ir além e usar esses meses para mobilizar toda a estrutura de saúde, com exames, rastreamento e diagnóstico, garantindo que as campanhas sejam realmente efetivas”, afirma.
Janeiro Branco e Roxo
O calendário anual tem início com o Janeiro Branco, campanha dedicada à saúde mental. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina, o tema ganhou maior destaque nos últimos anos, refletindo um avanço na conscientização da população. “Hoje há mais entendimento de que transtornos de ansiedade, depressão e outras doenças psiquiátricas podem atingir qualquer pessoa, no ambiente familiar, no trabalho ou na comunidade”, avalia.
Também em janeiro ocorre o Janeiro Roxo, que chama a atenção para a hanseníase uma doença ainda pouco conhecida e cercada de estigmas. Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, identificada em 1873 pelo cientista Armauer Hansen, a enfermidade é mais frequente em países menos desenvolvidos ou com alta densidade populacional.
No Brasil, a hanseníase segue como um desafio de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 17 mil novos casos foram registrados em 2022, reforçando a importância de campanhas de conscientização e diagnóstico precoce.
Fonte: G1

